Múltiplas e repetidas por favor!

«É já sabido há algum tempo que o exercício promove a neurogénese (processo de formação de novos neurónios no cérebro), mas agora um estudo (por Leuner, Glasper e Gould, publicado este mês pla PLoS ONE) defende que a mais íntima forma de exercício físico (a actividade sexual) pode produzir os mesmos efeitos. Melhor: ter múltiplas e repetidas experiências sexuais conduz a efeitos ainda mais positivos que uma única experiência isolada. Bónus adicional: também reduz os níveis de ansiedade!»


Não estou a defender o solteirismo, muito menos a promiscuidade (longe de mim), mas este artigo é demasiado interessante para não ser levado a sério. A fonte que cito, tenta relacionar os novos conhecimentos em benefícios do sexo (na nossa inteligência) e os mesmos benefícios, mas do sexo virtual. É muito extenso, denso e medicamente técnico, por isso só vos queria deixar a passagem anterior para que nela meditem durante o fim-de-semana!

Se tiverem paciência leiam a parte dos one-night-standers... ;-)

«Este amor era só meu»

Não sou grande adepto das suas escrituras, mas pela primeira vez o Alvim escreveu uma coluna genial. Está na edição de hoje do jornal Metro.

De maneiras que o que aconteceu foi isto e foi muito simples: eu vi-a. Era uma noite normal, foi por volta das 02h00, talvez 02h30, não sei bem. O que eu sei é que ela usava uma camisola às riscas azuis e brancas, tinha o cabelo comprido e falava animadamente com uma rapariga e um outro rapaz, que mais tarde percebi ser só um amigo. O que é certo é que eu estava no bar. Ela estava a falar de rapazes a dois metros com uma amiga muito bonita. Era sobre rapazes que eu bem sei, porque se observarmos bem, conseguimos sempre entender do que é que as mulheres estão a falar. E não é difícil: ou de rapazes ou dos saldos da Berska ou dos filhos. Não interessa.
Eu a perguntar-me como é que vou fazer isto. Eu a pedir uma bebida para ganhar coragem aqui dentro e tentar dizer-lhe de uma forma nunca antes vista, absolutamente singular, que ela era tudo o que eu sempre havia procurado, que por mim nadamais ambicionava, que chegaríamos à igreja e eu responderia que sim a tudo, que casaríamos pois, que teríamos filhos com mérito, férias com os miúdos em sítios muito divertidos e nunca antes explorados, que veríamos pouca ou nenhuma TV, mas que iríamos ao cinema ao ar livre ver filmes da década de 40. E então fiz isto: num acto de grande coragem – palmas por favor para este grande herói que agora vos escreve – disse-lhe tudo isto.
E a partir daí? A partir daí bebemos os dois, falamos como se um e outro fôssemos um livro de muitas páginas, dos bons, dançámos muito perto um do outro, saímos dali para outro bar onde todos pareciam reparar no nosso amor, já no pequeno-almoço – com todos a repararem – pedimos uma meia de leite como se o celebrássemos e já no táxi – com o motorista a reparar pois – quando lhe disse a morada de casa dela, foi como de repente ele atirasse arroz pelo ar e se ouvisse “viva os noivos”.
E ao chegar, quando subiu em direcção ao que é seu, percebi por fim o que todos repararam: que este amor era só meu.

Os actos de loucura

Li há bocado esta linda frase: Os actos de loucura são as únicas coisas de que não nos arrependemos na vida. Bonita não é? Fez-me lembrar um episódio de há uns dias atrás (no dia seguinte ao Alive), via eu no FB esta imagem que estava a ser shareada de pessoa-em-pessoa para ajudar o nosso amigo.

História: aparentemente um qualquer gajo no seu ritual dançante na tenda electrónica embeiçou-se por uma estranha que dançava nas redondezas. Como não falou com ela, chegou a casa e iniciou a quixotesca demanda de a encontrar, com o que memorizara dela. Imediatamente a ternurenta história do menino à procura da menina (alguém sabe como isto acabou?) puxou pelo lado romântico da comunidade que solidariamente passou a imagem com a nobre esperança de estar a ajudar o desabrochar do amor de uns desconhecidos.


Como bom vilão que sou, quando aquela treta chegou a mim pensei: “Então este triste, não tem coragem de dar uns passos e abordar a rapariga que o enfeitiça, para depois chegar a casa e ter este trabalhão do Alguém conhece esta gaja? Isto é de doidos!” E não só quebrei a estúpida corrente como tentei chegar à origem dela e dizer ao tipinho duas ou três tretas que passo a transcrever:

Oh meu marmanjo, tudo bem contigo? Já reparei que não. Deves andar por aí a chorar por ter deixado escapar a asian looking eyes e estarás com a cabeça cheia de platonismos por alguém que viste durante um bocado a dançar no Optimus Alive. Não, não me conheces. Nem eu a ti (que também dispenso), e pior para ti: também não conheço a tua musa (parabéns pelo desenho, está muito bem colorido. Pediste ajuda à professora?)

Podia começar a dissertar sobre Charles Darwin, a Evolução das Espécies e a Selecção Natural, mas sabes, nem mereces. Não o vou fazer, porque afinal é de Sobrevivência dos mais Aptos que reza a história e tu meu amigo, não estás claramente incluído no grupo! Então tu perdes a oportunidade de falar (falar mesmo, sabes: interagir) com a miúda mais bonita do Optimus Alive e achas que agora vais conseguir recuperar essa oportunidade perdida, esse acto de descaramento que não tiveste? Vais de alguma maneira conseguir matar esse arrependimento que te mói com esta merdice que puseste a circular no FB?

Ganha juízo pah! Perdeste a oportunidade: já eras, ardeste! É graças a ti e a atitudes como a tua, que os outros — os mais aptos — se safam: porque arriscam, porque vão lá! E tu... Tu não foste, não houve acto de loucura da tua parte! Nunca saberás se ela não teria já olhado para ti, senão te teria até notado! Agora arrepende-te muito, medita, reflecte, auto-analisa-te mesmo a sério, não para encontrares esta, mas para agires diferente na próxima!

Esta é a minha maneira de ser solidário com a tua causa: um grande abraço bem apertado e solidário! Boa sorte.

No mesmo dia, recebi a resposta dele:
Hi!

I don’t speak portuguese. Can you please translate?

Ter o dedo podre

Hoje aprendi uma nova expressão. Não sei se eu é que nunca a tinha ouvido ou se é sulista, mas achei-lhe piada!
No cafezinho de depois de almoço calha-me um daqueles pacotes de açúcar da Nicola que dizia “Um dia apaixono-me pela pessoa certa” e a minha colega C. diz-me:
— Olha esse era bom para uma amiga minha. Tem o dedo podre!
— Tem o quê??? — pergunto-lhe eu.
— Tem o dedo podre. O dedo para escolher as pessoas por quem se apaixona: sempre pelos gajos errados... — e começou a desviar o olhar para longe, talvez a divagar pelos sacanas que provadamente partem o coração da amiga. Voltou rápido do infinito trazida pela minha gargalhada:
— Mas que excelente expressão!
— Não conhecias?
— Não. — E repeti-a baixinho a fim de me lembrar (à Principezinho) — Dedo podre... Tem o dedo podre.

Ou amputa ou começa a escolher com a outra mão... digo eu vá que ele há dedos que dão tanto jeito.

Faz assim como eu faço

Tive um baque quando uma grande amiga minha me contou que uma vez lhe calhou um tipo que beijava tão mal que a certa altura ela teve de parar e dizer-lhe “Olha desculpa, faz assim como eu faço...” (!!!) Incrédulo perguntei-lhe imediatamente se se tinha passado quando eles tinham 16 anos e evidentemente quis saber muito mais pormenores do tal humilhante acontecimento. A custo lá lhe arranquei mais um ou outro detalhe: se tinha adiantado de muito “Não... Ele continuou a fazer como estava a fazer!” e até parece que nem ficou muito chateado com a dica.


Imagino a cena na minha cabeça e o grau de repulsa que ela teve de sentir: primeiro choca-me que ela tenha tido coragem para lho dizer, depois coragem para interromper o ritual para lhe indicar o caminho e por fim que ele tenha achado tudo normal. Mas tentando processar esta informação quanto possível, eu pergunto: o que fazer quando o objecto do nosso desejo beija como se andasse a treinar a língua para substituir um gerador eólico do Marão?
Durante um (bom) beijo dificilmente nos preocupamos com o aquecimento global e a dependência energética do país... A não ser que a qualidade seja do nível da descrita pela minha amiga: aí talvez pensemos em coisas mais interessantes.

Entre nós homens, este é um tema tabu, talvez por ser demasiado girly, já que gajo que é gajo não se preocupa com a maneira como beija: parte do princípio que é o maior, que 5 segundos de um beijo nosso a deixa a escorrer e que bora lá mazé ao que interessa. Muito menos troca dicas sobre o assunto com quem quer que seja: amigos, amigas, amantes ou mães: “Beijar mal? Isso só acontece aos outros!” ou pior “Ah isso não é importante...” Sem querer defender o burgo (nem o marmanjo da história da minha amiga), e partindo do princípio que já toda a gente teve beijantes (consistentemente) desagradáveis, será que se aprende a beijar? Que o beijo se educa? Ou que (como em inúmeros outros assuntos atraentes) se nasce com um estilo e que se stitch to it no matter what? Iremos sempre beijar assim, n’importe quoi se faça para o alterar, como que um conceito de beijanço inato?

Como não acredito numa Workshop para Línguas Descoordenadas ou numa Academia dos Cuspes, defendo honestamente a segunda opção: a maneira como se beija é algo não-apreendido. Há-de haver gente que aprecie uma boa língua dura e pontiaguda pela goela abaixo ou uns lábios latejantes de dor de tão mordidos por incisivos afiados. E depois há gente que perante estilos de beijo não-compatíveis vira costas e perde a vontade de beijar seja o que for mais da criatura, e gente que sonhadoramente lhe dá umas dicas na esperança de amansar o irrecuperavelmente incivilizado. Eu viro costas, mas nutro uma profunda admiração pelo pessoal das dicas.


PS - Lembrei-me agora que já tinha abordado uma temática parecida.

65 minutos

- Desculpe, vai ter de cancelar a minha consulta. Não faz sentido: era às seis e meia! Eu sei que não tem culpa nenhuma, mas o meu tempo é tão precioso como o vosso!

Como esperasse uma reacção de perda, um qualquer esgar de descontentamento, qual não é o meu espanto quando o único que recebo é um aceno de cabeça e um nada surpreendido Vai-se embora. Assim, quase que nem a perguntar, só a constatar. Como bom português que sou, ainda carrego o espírito de subserviência para com “a classe”, ainda digo Muito obrigado e sôtor vezes demais quando entro num consultório, enfim, é cultural. Por isso achei que me fosse ser muito difícil e lisboeta afrontar assim “a classe”. Não foi, e pelo que me pareceu, não tenho sido o único!

Tinha chegado às 18h27, depois de um dia de trabalho em que não consegui fazer tudo o que devia antes de ter de sair para a consulta. Eram 19h35 e 65 minutos antes tínhamos sido simpáticos um com o outro: ela, a recepcionista, falou-me em alheiras quando lhe ditei a morada, eu falei-lhe em boa comida por toda a minha região ao contrário da capital, enfim o normal. Mas no intervalo entre as nossas duas conversas, vi gente ser chamada para diferentes consultórios (todos da mesma especialidade clínica) de uma sala que quando entrei estava cheia e com um jazz nos altifalantes para acalmar os pacientes, melhor, os clientes, que escolheram ir ali pagar 80€ só para serem consultados.

Ponderei muito bem antes de me levantar enfadado: teria havido uma emergência? Se sim, que mo justificassem. Seria ele o supra-sumo da dermatologia? Se sim, era um inútil brilhante dermatologia sem sentido de pontualidade. Ou seria indiano? Da terra onde quanto mais importante se é mais tem de se fazer esperar quem quer reunir connosco, seria da Índia? Se sim, tinha um nome bem português: Dr. António Pinto Soares da Sequine (escrevo-o assim, para que apareça nas pesquisas do Google, porque vivemos na era do marketing localizado no consumidor e não nas marcas). Escolhi este médico e esta clínica privada por 3 razões em especial: a primeira, a comum a toda a gente que vai a um consultório privado (porque o pode pagar e porque não confia no SNS). A segunda porque a clínica é perto do meu escritório (vi no sítio online deles). A terceira porque, numa cidade estranha, tive de pesquisar na net e vi aqui que podia ser uma boa escolha. Enganei-me, enganaram-me.

No dia em que a Ordem dos Médicos de Portugal vem queixar-se e reprovar o aumento de TRÊS(!) vagas a nível nacional nas faculdades de medicina para o próximo ano lectivo, para nos convencer de um suposto excesso de médicos a curto prazo, vemos na realidade que ser-se médico em Portugal é tão bom, mas tão bom, que os espanhóis vêm para cá ser médicos! Que há putos de 18 anos que nunca saíram de casa que escolhem deixar amigos e família para perseguir o sonho de dar aos pais um filho médico, indo estudar para Espanha, Checa, Inglaterra, sozinhos.



Conhecem muitos espanhóis que vivam em Portugal? Não muitos... Mas turistas? Vejo-os a vir passear a Lisboa (a vizinha, que de tão desconhecida chega a ser exótica aos seus olhos) de nariz no ar e castelhano arrogante na boca sem nunca substituir o gracias pelo obrigado, mas ainda ssim admirados por terem uma cidade e um país tão bonito mesmo ao lado, tão perto que até tem fronteiras com Espanha apesar de eles pouco terem ouvido falar dessa nação. Mas que cá trabalhem? Bom, haverá claro, mas aposto que nenhuma tem tanta concentração como medicina (num rácio de número de profissionais total por número de emigrantes)! Eles passam a fronteira e fazem cirurgias a cataratas em catadupa no Alentejo por 10 vezes o preço praticado em Castela, e 3 vezes menos que na Lusitânia. Fazem-nos o favor de reduzir listas de espera, cobrar menos e bom, não há bela sem senão, chatear a Ordem “d’a classe” para a qual há excesso de médicos, e pior: haverá desemprego na profissão muito em breve. Estes senhores para além de não fazerem ideia do que é o interior do país, correcção, de desconhecerem a grande maioria do país (o que é normal por estas bandas), desconhecem o estado da própria profissão. Mas a minha médica de família é espanhola, e eu gosto dela.

Chega de aguentarmos esta filosofia de merda; nos outros países isto não funciona assim: “a classe” é o último baluarte elitista de um país que deixou de ser elite há 400 anos. Já não somos os maiores do mundo, já fomos. Mas estes senhores ainda agem como se fossem. Medicina (por quem tenho um ódio de estimação muito pessoal) é o meio mais perfeito para se encontrar profissionais (ou a caminho de) mais insatisfeitos, menos vocacionados e mais pressionados para uma escolha feita por razões de estatuto e de finanças. E o irónico é que esta devia ser a área onde mais importância devia ser dada à vocação: são eles que tratam de nós, das pessoas, da saúde. E depois vêm-me com histórias de que os estudantes de medicina são os que mais drogas tomam para melhorar rendimentos de estudo e desempenhos afins, com reportagens dramáticas em horário nobre. Tive contacto muito próximo com o curso e o estudo de medicina e… bem, só posso dizer que eles têm o esquema realmente bem montado. Aquilo é tão difícil como outro curso qualquer! Pior: aposto que qualquer bom aluno de hum… sei lá… Engenharia (sem querer ser tendencioso) faria o curso de Medicina. O contrário? Muitos menos… Muito menos teriam aproveitamento, gostos à parte.

Haverá com certeza médicos competentes, muito competentes. Mas desses não quero falar hoje; hoje detesto-os a todos. Todos. Nem todos podemos ser brilhantes nas nossas áreas, mas pelo menos que sejamos competentes, e em Portugal não há uma única entidade que se dedique a avaliar, catalogar, listar a competência de um clínico! Há institutos e fundações para tudo, até os professores agora são avaliados. Mas na área quiçá, mais sensível à incompetência (porque lida com vidas humanas), nada: não se sabe! Protecção e impunidade totais “à classe”. Alguém conhece (por ter lido ou se ter informado) um médico incompetente? E um competente? Em Portugal, a publicidade aos bons e aos maus médicos ainda é feita como em 1800: boca-a-boca. Vá agora usa-se a internet e os fóruns: publicidade boca-a-boca na mesma. Porquê? Alguém conhece um médico incompetente que tenha deixado de ser médico? Eu não.
Em Inglaterra nem chegam a esperar 10 minutos para virar costas a uma meeting... Se eu chegasse 65 minutos atrasado às minhas reuniões, conferências e compromissos, seria um incompetente, não teria um único cliente, porque só na Medicina o país ainda não é País.

Chega. Nós, as novas gerações, temos que subir a fasquia da exigência, porque eu também dou o meu melhor, porque eu também sou um engenheiro competente. Não esperem mais num consultório do que esperariam numa mesa de restaurante para ser atendidos. Há felizmente concorrência (embora “a classe” queira fazer de tudo para que não haja) apesar de toda a protecção lobística. Principalmente se o serviço não é gratuito e público (atenção, o SNS também é pago, mas pelos impostos de todos), não se deixem tratar como mercadoria. Nem que seja o melhor cirurgião do mundo, se o 2º melhor me operar sem me fazer esperar 65 minutos por uma conversa, prefiro o segundo melhor. Estou farto que o melhor povo do Mundo viva no pior país do Mundo.

PS – Alguém me aconselha um dermatologista em Lisboa?

Velhos amigos

É engraçado as voltas que a vida vai dando! Esta semana retomei contacto com um velho amigo com quem cresci e com quem não falava há 6 anos. Assumimos a irrecuparibilidade de tanto tempo longe do coração e olhámos com ânsia os próximos tempos de convivência conjunta.

Da forte amizade desses tempos em que íamos descobrindo a vida, as raparigas, a música, os jogos, ficaram muitas influências em gostos e valores que persistem até hoje. Mas o mais curioso é ver como as duas vidas evoluíram durante estes 6 anos de afastamento: ambos concluímos os cursos e começámos a trabalhar, significa que não tivemos contacto durante os loucos anos académicos de cada um e só agora em que a vida traz francamente mais responsabilidade e muito menos ócio, nos reencontramos. Ou seja a nossa grande amizade, entrou de jovens adolescentes-almas-gémeas directamente em adultos-a-começar-a-construir-carreira: fomos privados da presença e influência de cada um durante os tais anos de universidade. Com muita curiosidade, perguntámo-nos como evoluiu cada um de nós nesses anos de hiato?! Não precisámos de horas para relatar os recentes anos de vida, mas de vários dias!


Ele teve a grande coragem de deixar o curso em que se tinha matriculado primeiro e mudou para o curso que sempre o apaixonou, cortando as amarras das escolhas que nos impõem no secundário, passou de um aluno sem futuro em Direito para um proeminente noutra área, colhendo os frutos de fazer o que se ama, com aquele gosto e vontade inimitável quando se faz o que não se quer.
Eu mantive-me na minha área de estudos…

Manteve-se por Coimbra, onde (como eu em Aveiro) fez colecções de amigos e desamigos, amigas e conhecidas, namoradas e ex-namoradas. Lá deixou a sua pegada. Entretanto eu tive a grande coragem de me manter solteiro depois de sair da minha relação de liceu, ao invés dele que acabou por se apaixonar perdidamente no fim da universidade (após uns prévios e sérios ensaios falhados) pela miúda com quem hoje já mora e mantém uma relação estável e feliz: um percurso diametralmente antagónico do meu! Ele optou por relações longas e estáveis. No jogo dele, apostou e investiu: às vezes ia ganhando, outras perdendo, como quem arrisca numa relação e sabe sempre que está a semear, a cultivar, a acarinhar algo que se vai desenvolver e crescer, que um dia pode apodrecer ou cair, mas que se isso não acontecer o que se colhe é demasiado valioso para não se arriscar. E ele lá escolheu viver assim.
No meu jogo, corri covardemente muito menos riscos: investi em mim, só em mim mesmo. Não fiquei no mesmo sítio, não me prendi nele nem me prendi em ninguém. Tive relações comigo e com lugares: fui viver para Itália e para Londres; perseguir o divertimento em variadas capitais europeias e mais variadas pessoas, levando sempre numa mala que pouco mais aguentava que poucos amigos (bem escolhidos) e pouca roupa (bem dobrada).

Hoje somos o resultado dessas escolhas dos últimos 6 anos. E este afectuoso reencontro entre nós é o tubo-de-ensaio perfeito para estudar esta engraçada evolução! Uma pequena metafórica máquina-do-tempo, em que através das memórias consigo ver como éramos e como ficámos, e mais interessante ainda, como as nossas escolhas e as nossas maneiras de estar e pensar nos puseram onde estamos. Hoje, estamos ambos a trabalhar nas áreas que estudámos, bem sucedidamente. Fruto da sua paixão pelo que faz, o J. está hoje num meio hiper-restrito de actividade profissional, a levantar-se cada manhã com vontade de chegar ao trabalho. Proveito do meu aventurismo fui adquirindo valências em áreas tão específicas quanto valiosas (das línguas à tecnologia) que me abriram portas em empresas que de outra forma nunca se abririam para mim.

Olho para a vida dele e vejo pormenores de pura felicidade que me desarmam e me fazem questionar o meu próprio percurso. Responde-me com um “Muito!” quando lhe pergunto (com o meu jeito natural desconfiado em relação ao amor) se está apaixonado. Pasmo com todos os sinais distraídos de uma vida que eu não tenho: o fundo do ecrã com uma foto feliz a dois “de uns dias na Madeira”, os planos quotidianos de sintonia entre horários “a que ela sai”, os “Fui passar o fim-de-semana a Óbidos com ela, à Feira Medieval”… Custa-me discernir se é um normal só queremos o que não temos ou se eu preferiria mesmo mais do que ele tem e menos do que eu optei e alcancei. No fundo, salpicos de felicidade construída a dois! E penso: Quem é mais feliz?

FELIZ!!!!!!!!!!!!

Estou tão feliz que até sou capaz de reabrir esta merda!!!!!!!!!! :-D

Coragem

Bem esta é genial... Deparei-me com isto no FB:
Um dia perante a tua falta de iniciativa vou perguntar-te: Sabes o que o Calimero fez à abelha Maia?... Faz só metade!


Como reagir a isto se efectivamente uma tipa tiver coragem suficiente para se nos acercar e o disser??

Hipótese 1: Subir-lhe a saia e recompensá-la devidamente!
Hipótese 2: Responder-lhe: "OK, OK! Eu sujo-te só a saia..." e não recompensá-la devidamente!

Dúvidas

Tyler Durden: My dad never went to college, so it was real important that I go.
Narrator: Sounds familiar.
Tyler Durden: So I graduate, I call him up long distance, I say "Dad, now what?" He says, "Get a job."
Narrator: Same here.
Tyler Durden: Now I'm 25, make my yearly call again. I say Dad, "Now what?" He says, "I don't know, get married."
Narrator: I can't get married, I'm a 30 year old boy.
Tyler Durden: We're a generation of men raised by women. I'm wondering if another woman is really the answer we need.


Quem já reconheceu esta citação do brilhante Fight Club de 1999, provavelmente lembra-se do filme ou já o/se reviu algumas vezes: um marco cinematográfico incontornável! Muito já foi escrito sobre o filme, sobre o futuro de vintanistas criados por famílias mono-parentais, o colapso do modelo sociológico dos anos 80, etc etc. É um filme que dificilmente deixa um gajo indiferente, aliás, foi considerado em 2009 como um dos “50 Best Guy Movies of All Time” pela Men’s Journal, entre outros prémios.

Não tive de procurar muito para encontrar este diálogo genial, porque o sabia quase de cor (apesar dos anos desde a última vez que vi o filme). Quantos gajos não se identificam com isto? Fomos pressionados a ser bons alunos na nossa passagem pelo liceu, para irmos para um bom curso, um curso de futuro! Depois foi suposto entrarmos na faculdade e formarmo-nos! De acordo com a geração anterior o lógico depois disso foi arranjar um bom emprego... OK! Para quê? Para assim, podermos comprar o nosso carro e a nossa casa! E agora pais? Bom, e agora?! Hum... supostamente “já devias estar comprometido, senão casado” possivelmente até “a escolher a mobília para o quarto do primeiro puto”... Mas e se não tens ninguém?
Tens o curso, o emprego, o carro e a casa. E agora pais? A ordem seguinte é casa-te e tem filhos? A sério? Então este trabalho todo foi para isso? Para quando o puto estiver a entrar para a primária, pedir o divórcio porque um de nós achou que havia melhor lá fora e já ninguém atura infidelidade como na vossa geração? Foi este o melhor caminho que conseguistes traçar para nós? É isto que supostamente me vai realizar e fazer feliz? É esta a solução?

“Somos uma geração de homens criada por mulheres. Pergunto-me se a solução é mesmo meter na nossa vida uma outra mulher.”